Cantos Gregorianos - Salmos

quinta-feira, 24 de abril de 2014

São Bruno

São Bruno

A este santo se deve a fundação de uma das Ordens religiosas mais importantes e mais humildes que prestam austeridade e reconhecimento a Deus. A Ordem da Cartuxa (a Ordem dos Cartuxos).
Bruno nasceu em Colonha, na Alemanha em 1030 de um família nobre. Desde muito jovem estudou nas cidades francesas de Reims e Paris e quando voltou a sua pátria, foi ordenado sacerdote no Colegiado de São Cuniberto. Anos mais tarde regressou a Reims como professor de teologia e depois a Paris. A ordem Cartusiana se recorda de uma tradição baseada em um episódio que se passou na cidade de Sena e que comoveu profundamente o nosso santo.
Bruno estava orando um oficio fúnebre e ouviu o cadáver falar três vezes da tumba e a ultima frase dizia: "Por justo juízo de Deus fui condenado". Estas palavras fizeram com que Bruno abandonasse completamente o mundo e se entregasse totalmente ao Senhor com o desejo que sua alma fosse ascética e contemplativa, buscando uma união com Deus na oração e no silencio. Um dia se reuniu com seus amigos e depois de terem repartido seus bens com os pobres, se retiraram para a Abadia Beneditina de Solesmes. Mas Bruno queria mais austeridade e mais contemplação, e não demorou muito ele e alguns de seus companheiros se retirarem para Cartuxa, um maciço montanhoso situado no meio do deserto na Diocese de Grenoble. Conta São Hugo que o bispo daquela diocese teve na noite anterior um curioso sonho no qual ele viu descer dos céus sete estrelas sobre aquela terra árida. Era a premonição da chegada de Bruno e seus 6 discípulos. Era o ano de 1084 quando nosso santo e seus colegas tomaram posse daquele lugar e levantaram humildes barracos de madeira e uma pequena capela dedicada a Virgem. Ao cabo de alguns minutos e graças a Divina Proteção, saiu da terra um jato d’água que se converteu e uma fonte que daria água aqueles homens solitários.
"Enquanto o mundo gira, a cruz permanece intacta."

Nascia a Ordem da Cartuxa. A abstinência que levavam era muito rigorosa. Só comiam de dois em dois dias, dormiam poucas horas e era grande a disciplina, as roupas ásperas de cor branca, oração, trabalho e caridade. Para se ter uma idéia de como era, o Abade de Cluny, descreveu muito espantado o seguinte:

"são os mais pobres entre os monges e habitam cada um uma cela com seu tosco habito de penitencia e quase só comem pão. Não comem carne, nem pescado. Aos domingos e as quintas comem ovos e queijo. As segundas e sábados ervas e nos outros dias água e pão. Só comem uma vez ao dia, exceto nos dias de festa quando não comem e guardam estrito silencio, se comunicando através de sinais."

Após alguns anos o Papa Urbano II que havia sido professor de Bruno em Reims, o chamou a Roma para que fosse seu colaborador. Bruno teve de deixar o deserto e viajar a Roma, onde o seguiram alguns de seus discípulos. Embora tenha sido nomeado Arcebispo de Reggio, em sua mente estava a vontade de voltar a vida ascética e do silencio. Ao cabo de alguns anos o Sumo Pontífice permitiu que ele voltasse a solidão na Itália, Calábria onde ele fundou o Mosteiro de Santa Maria del Yermo tambem chamada de Odem Cartuxa da Torre. Ali sua Ordem floresceu e em breve teve que erigir outro monastério, o que foi feito com o nome de Monastério de São Stefano em Bosco. Muitos devotos iam ao encontro de Bruno a pedir seus conselhos e ajuda, e muito foram curados apenas pela sua benção. Sua fama logo se estendeu a toda a Itália, França e Alemanha. Ele faleceu em 6 de outubro de 1101 e é o patrono da cidade de Colonha na Alemanha .

Sua festa é celebrada no dia 6 de outubro.

Vida Consagrada em tempos complexos:

“O segredo da vida consagrada está na fidelidade e na perseverança”.

Amado, amada de Deus, consagrado, consagrada do Reino,
Tenho sede!

No clássico da literatura universal, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, há uma cena em que Alice está perdida e, de repente, vê, no alto da árvore, um gato. Ela olha para ele e diz:

- Alice: "Você pode me ajudar?"
- Gato: "Sim, pois não".
- Alice: "Para onde vai essa estrada?"
- Gato: "Para onde você quer ir?"
- Alice: "Eu não sei, estou perdida".
- Gato: "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve".
Nesta mesma obra, em outra cena:
- Alice: “Onde fica a saída?"
- Gato: “Depende”.
- Alice: “De quê?”
- Gato: “Depende de para onde você quer ir”.

Querido irmão, querida irmã, não é minha intenção - não tenho este direito -, comparar a Vida Religiosa Consagrada com Alice, com o gato, e nem com o fato de Alice estar perdida. O que gostaria de dizer é que, nas encruzilhadas da vida, “se o homem não sabe aonde quer chegar, qualquer direção parecerá certa” (LaoTsé). E ainda mais: "nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir" (Sêneca). Dizia meu pároco, de saudosa memória: “o que cansa não é a caminhada; é a pressa de chegar ou não querer chegar”.

Creio que muitos de nós já cantamos esta linda canção: “Perdido, confuso, vazio, sozinho na estrada, tentando encontrar um caminho que seja o meu, não importa se é duro, eu quero buscar. Caminheiro, você sabe, não existe caminho. Passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz.Iguais, são todos iguais, ninguém tem coragem sequer de pensar. Será que ninguém é capaz de sentir esta vida e com ela vibrar? Será que não vale a pena arriscar tudo, tudo e a vida encontrar?” (Bendito B. Prado).

Andança, itinerância, mendicância, provisoriedade, missionariedade. Errante, vagante; risco, desânimo, solidão, desafio, perda, crise... Quem ainda não enfrentou tais situações ou vivenciou tais estados de ânimo? Porém, tudo passa! Só Deus basta! Sejamos firmes, fortes e fieis. “Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião: nunca se abala, está firme para sempre” (Sl 125,1). Quem assim age pode ser comparado a uma casa construída sobre a rocha. Cai a chuva, vem a tempestade, sopra o vento e a casa não cai, pois está firmemente alicerçada (cf. Mt 7,24). Ele precisa apenas do nosso pedido: “permanece conosco, Senhor” (Lc 24,29).

Diante dos desafios, das dificuldades, dos embates e dos combates que a Vida Consagrada enfrenta hoje, como de resto, a própria Igreja, somos tentados a pensar que ela esteja em mar bravio, com seu barco a deriva, sem timoneiro, sem horizonte, confusa, na noite escura, sem perspectiva de um amanhecer banhado de sol. Quantas vezes nos sentimos perdidos, como Alice no País das Maravilhas, à espera de alguém que nos indique uma direção certa e segura.

No entanto, não nos esqueçamos: somos discípulos e discípulas de Jesus! Em meio às tormentas da vida, jamais podemos nos sentir perdidos como Alice! Cristo é nosso Amigo e nosso Guia, nossa Força e nossa Rocha, nossa Esperança e nossa Alegria e nossa certeza de Vitória. As dificuldades e as perseguições fazem parte de quem se faz discípulo de Cristo. Elas são sinais que purificam o nosso sim a Jesus.

A Vida Religiosa Consagrada é uma caminhada bela e edificante. E, nesta caminhada, haverá de cruzar e atravessar os umbrais do ponto focal, do ponto de partida e do ponto de chegada. A Vida Religiosa Consagrada tem seus segredos, seus encantos e suas paixões. O segredo da vocação à Vida Religiosa Consagrada está no encantamento por Jesus, por sua Igreja e pelo seu povo. Ninguém segue fielmente, por muito tempo, a alguém por quem não tenha encantamento. O segredo da fidelidade na Vida Religiosa Consagrada está no encantamento por Jesus, por sua pessoa, seu evangelho e seu projeto de vida.O segredo do seguimento missionário do consagrado e da consagrada está no encantamento pelo estilo e pelo modelo de vida missionária de Jesus. O segredo da vida espiritual do consagrado e da consagrada está na capacidade de se encantar ou se reencantar cada dia, de começar sempre de novo, e partir, sem olhar para trás. O segredo da Vida Consagrada está na fidelidade e na perseverança. Quem assim não vive, a chama da vocação se apaga e a vida perde o seu sentido e vira fadiga e rotina. Neste estado de ânimo, dificilmente uma vocação se manterá fiel e perseverante à obra e à missão.

O papa Francisco, falando, recentemente, aos seminaristas, aos noviços e às noviças, chamou-nos a atenção para quatro pontos que consideramos fundamentais e inegociáveis para a vida e missão da pessoa consagrada a Deus:

1.    Fujam do perigo da cultura do provisório:"eu não culpo vocês. Reprovo esta cultura do provisório que não nos faz bem, pois, uma escolha definitiva hoje é muito difícil. Na minha época era mais fácil, porque a cultura favorecia uma escolha definitiva tanto para a vida matrimonial, quanto para a vida consagrada ou sacerdotal, mas nesta época não é fácil uma escolha definitiva. Nós somos vítimas desta cultura do provisório".

2.    Sintam-se alegres por serem amados e chamados por Deus:“ao nos chamar, Deus nos diz: “você é importante para mim, eu te quero bem, conto contigo”. Entender isso é o segredo de nossa alegria. Sentir-se amados por Deus, sentir que para Ele não somos números, mas pessoas. Sentir que é Ele quem nos chama. Tornar-se sacerdote, religioso e religiosa não é, antes de tudo, uma escolha nossa, mas a resposta a um chamado e um chamado de amor".

3.    Sigam o caminho do amadurecimento, na paternidade e maternidade pastorais:"vocês, seminaristas e religiosas, consagrem o seu amor a Jesus, um grande amor; o coração é para Jesus. E isso nos leva a fazer o voto de castidade, o voto de celibato. Mas os votos de castidade e do celibato não terminam no momento dos votos, continuam. Quando um sacerdote não é pai de sua comunidade, quando uma religiosa não é mãe de todos aqueles com os quais trabalha, se tornam tristes. Este é o problema. A raiz da tristeza na vida pastoral é a falta de paternidade e maternidade que vem da maneira de viver mal esta consagração, que nos deve levar à fertilidade. Não se pode pensar num sacerdote ou numa religiosa que não são fecundos. Isso não é católico! Esta é a beleza da consagração: é a alegria, a alegria".

4.    Sintam-se chamados a uma Igreja missionária:"Deem sua contribuição em favor de uma Igreja assim: fiel ao caminho que Jesus quer. Não aprendem conosco, que não somos mais jovens; não aprendam conosco aquele esporte que nós, os velhos, muitas vezes fazemos: o esporte da reclamação. Não aprendam conosco o culto da reclamação. É uma deusa que se lamenta sempre. Sejam positivos, cultivem a vida espiritual e, ao mesmo tempo, sejam capazes de encontrar as pessoas, especialmente as desprezadas e desfavorecidas. Não tenham medo de sair e caminhar contracorrente. Sejam contemplativos e missionários...”

Caríssimo e caríssima, independente do que vocês fazem, somente pelo modo de vocês viverem a especial consagração a Deus e aos irmãos e irmãs, mais necessitados, vocês sempre me provocaram admiração, encanto, fascínio, paixão e vontade de imitá-los. Dentre tantos elementos que me fascinam, gostaria de destacar alguns:

1. Nas congregações, nos conventos, nos mosteiros, nas abadias, nas clausuras, nas casas de serviços e de inserções, surgiram os maiores e os mais queridos santos e santas da Igreja católica.

2. Nas universidades e faculdades, nos colégios e nas escolas católicas, vocês formam os maiores e os melhores teológos e teólogas, mestres e doutores que alimentam a vida com o sabor e o saber do evangelho de Jesus Cristo.

3. Vocês vivem os mais ricos e os mais bonitos estados de vida cristã: ativa, apostólica, mística, ascética, monástica, contemplativa. Tudo isso através das duas mãos da evangelização: a diaconia fraterna do serviço (Marta) e a diaconia da oração e da contemplação (Maria).

4. Nos hospitais, nas creches, nos orfanatos, nos pensionatos e nas outras modalidades das redes do amor social, vocês geram ou transformam vidas, mentes e corações, curando feridas, enxugando lágrimas, amenizando dores e cuidando dos sofrimentos de muitos irmãos e irmãs que batem às portas das beneméritas instituições de caridade cristã e de promoção social. Vocês vivem, em primeira pessoa, o que muito bem disse Madre Teresa de Calcutá:“Aqueles que ninguém quer, nós, cristãos, os queremos”.

5. Vocês, na Igreja católica, possuem os melhores e mais bonitos modelos de vida fraterna: tudo em comum, num só coração e numa só alma. A exemplo das primeiras comunidades cristãs, entre vocês ninguém passa necessidade (cf. At 4,32s).

6. Vocês preparam os melhores mestres em espiritualidade, os maiores místicos, missionários e mártires, que derramam seu sangue e dão suas vidas em resgate de muitos, como fez Jesus.

7. Vocês vivem, com corações indivisos, os maiores conselhos evangélicos: a obediência, a pobreza e a castidade.

8. Vocês vivem a forma multifacetária da vida cristã: homem e mulher; vocações laical, missionária, religiosa, especial consagração; papa, bispos, padres, diáconos, irmãos, irmãs, leigos e leigas...

Mas, como disse Jesus, a quem muito é dado, muito será exigido. Vocês estão pagando preço muito alto, por causa das ousadias e das audácias missionária, evangelizadora e apostólica (cf. DAp 273,549, 552). No momento atual vocês estão atravessando mares bravios. Entre estes, destacamos apenas dois que estão na origem dos demais desafios: a diminuição das vocações à Vida Religiosa Consagrada tradicional e o aumento das vocações às novas formas de vida consagrada.

Por fim, caro amigo, cara amiga, aceitem, de bom grado, o convite de Aparecida (551): “levemos nossos navios mar adentro, com o poderoso sopro do Espírito Santo, sem medo das tormentas, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionará grandes surpresas”. Amém!


 
“Amo a todos vocês no Cristo Jesus” (1Cor 16,24).
Deus os/as abençoem!  


Dom Pedro Brito Guimarães,
Arcebispo de Palmas e
Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada

Vocação: A vida monástica.

Os mosteiros foram e continuam a ser um sinal eloquente de comunhão.


Cartuxos
A Vida Monástica define-se pela escolha de um modo de vida que é ao mesmo tempo marginal e implicitamente crítico em relação à sociedade de consumo. Não é uma fuga, mas um despojar-se de si mesmo para tomar a cruz e seguir o Cristo. A comunidade, “Escola do serviço do Senhor”, reúne-se em torno de um pai, o Abade, sinal de Deus, que é Pai. Na vida comunitária, o monge aprende a arte de perdoar e amar e de permitir que sua personalidade gradualmente se complete com as riquezas dos outros. Este processo de crescimento alimenta-se no diálogo constante, pessoal e comunitário, com Deus , na oração – verdadeira respiração vital da presença do Espírito Santo de Deus. E à oração une-se, naturalmente, o trabalho manual ou intelectual, realizado por todos em espírito de oferenda e como serviço aos homens.
Trapistas


Sendo alguém que busca a Deus, o monge se dispõe a um contínuo e entusiasmado processo de conversão no dia a dia de sua vida comunitária. Ele não foge do mundo, nem o odeia, mas dele se afasta. Renuncia a si mesmo e aos bens que poderia obter para si no mundo, para seguir a Cristo no deserto, lugar de sofrimentos e tentações, mas também de autenticidade e encontro. Assim, colocando-se a certa distância da sociedade, livre de suas convenções e imperativos, o monge entrega-se totalmente ao Cristo. Assume uma caminhada em busca da sabedoria de uma tradição espiritual, que lhe é transmitida por um mestre e uma comunidade. Toda esta caminhada, conduz, pela graça, a uma transformação interior e a um aprofundamento da consciência e da percepção, chegando-se a uma experiência no mais profundo do ser.
Beneditinos


A vida do monge é toda alicerçada na fé, por meio da qual ele experimenta constantemente a Morte e a Ressurreição em Cristo, com tudo o que isso implica: despojamento, humildade, paz, serviço, alegria, liberdade. Dentro do Mosteiro, o monge permanece aberto às necessidades dos homens e ao acolhimento. É livre para encontrar e amar a todos. E quer ser, segundo a vontade de Deus, um instrumento de seu Reino.

A Nossa função no Corpo Místico de Cristo - A Igreja

O monge faz sua e participa da missão de Cristo e da Igreja mediante sua doação pessoal a Deus e fidelidade à vida monástica. Seu apostolado está em seu coração orante e purificado, no qual se encontram as alegrias e tristezas de toda a família humana. O mosteiro é sinal silencioso da presença transcendente de Deus entre os homens. É uma profecia da comunhão com Deus a qual Cristo nos convida. “O Reino Deus está no meio de vós” (Lc 17,21). Com sua oração, sustenta, misteriosamente, a missão de toda a Igreja, permanecendo diante do Senhor dia e noite. Usando as célebres e sábias palavras de Paulo VI: "Os mosteiros são como que “os pulmões da Igreja”.
Cistercienses


Não realizamos obras de apostolado fora dos muros do mosteiro. No entanto, nossas portas estão sempre abertas para o povo. Aqueles que vêm ao mosteiro são convidados a compartilhar conosco do clima de solidão e silêncio, no qual floresce a lembrança de Deus e a oração pura e contínua. Pela hospitalidade, o mosteiro compartilha o fruto de sua contemplação e trabalho. É uma hospitalidade aberta a todos, sem distinção. “Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: ‘Fui hóspede e me recebestes’” (rb.53,1).
Carmelitas


“Os mosteiros foram e continuam a ser, no coração da Igreja e do mundo, um sinal eloquente de comunhão, lugares para acolher todas as pessoas que estão buscando Deus e as realidades espirituais, escolas de fé e verdadeiros centros de estudos, de diálogo e de cultura para a edificação da vida eclesial e da cidade terrena, à espera da cidade celeste. (...) O monaquismo ocidental, em sua forma atual, inspirado por São Bento, recolhe a herança de tantos homens e mulheres que, renunciando à vida levada no mundo, procuraram a Deus e a ele se dedicaram, ‘sem nada antepor ao amor de Cristo’ (rb.4,21)” (Vita Consecrata, 6). Esta maneira de viver é, para os hóspedes, um sinal profético e escatológico capaz de tocar seus corações e provocar um questionamento positivo, a ponto de gerar uma mudança de vida. A vida monástica é para os homens de hoje uma ‘água viva’ do Cristo, a única que poderá saciar a sede dos homens.
Agostinianos
Num mundo no qual o “falar” se tornou algo muito cultivado e o “ouvir”, negligenciado, o mosteiro assume um importante papel no acolhimento das pessoas, que desejam partilhar suas dificuldades, anseios, alegrias e tristezas. Nós nos dispomos a recebê-las para o aconselhamento espiritual, atendimento de confissões ou, simplesmente, para ouvir aquele que precisa falar.

ENCANTOS.


Quando uma pessoa chega diante do mar
pela primeira vez,
fica impactada pela beleza e pela força
que vê diante de si.
Já quem mora de frente para a praia,
olha e não vê,
vê e não enxerga,
enxerga e já não sente mais nada...

Quando um turista desce no aeroporto
da cidade desejada,
quando vê monumentos e ruas que
antes só via na TV,
quando percorre ruas que antes eram sonhos,
fica entusiasmado,
tira milhares de fotos,
compra postais e jura que um dia vai voltar.
Quem mora ali mesmo as vezes
quer até se mudar...

Quando alguém se apaixona por uma pessoa,
move mundos e fundos para conquistar.
Faz coisas que parecem ridículas,
contém seus vícios, fala manso,
ri muito, capricha nas roupas,
cerca a pessoa de todas as formas.
Depois de algum tempo da conquista,
se transforma.,
já não beija mais como antes,
não leva flores, nem bombons,
esquece até de mudar de roupa,
e por fim, esquece do amor que nunca existiu...

Por isso, antes de encantar-se
com o fim da viagem,
curta a estrada e seus contornos.

Antes de comer a comida saborosa,
cheire seus odores, aprecie a arrumação
no prato,
coma devagar e aprecie cada sabor.

Antes de terminar o relacionamento,
examine-se,
será que o que você cobra tanto,
você oferece?
Antes de sair do emprego pergunte-se:
será que fiz o melhor pelo ambiente?

O encanto está nos nossos olhos,
o desencanto em nossos corações.

Por isso, deixe-se levar pela emoção
todos os dias,
descubra o novo no velho,
e faça de cada dia,
uma novidade pelos detalhes
amorosos do seu ser.

Nós somos o amor, frutos do amor,
e o amor deve nos guiar por todos
os caminhos;
para tudo ser novo de novo.

Aprendendo A Ouvir A Deus.


O importante é adquirir a prática de ouvir a Deus. Ouvir não com o ouvido, mas com o coração. Ouvir a Deus é colher no coração o que Ele inspira. 

A resposta do Senhor é semeada no nosso coração, no mais íntimo do nosso ser, no mais profundo de nós mesmos, no cerne de nós mesmos, lá onde Ele habita, lá onde Ele mora.

Se eu quiser saber a resposta do Senhor, devo procurar lá dentro, dentro de mim mesmo. Tenho de aprender a entrar no meu interior, a buscar dentro de mim. Não fora, não no barulho, não na movimentação, nem na minha cabeça.

Muitas vezes, queremos resolver todas as coisas com a cabeça, saber tudo com a cabeça. Precisamos ir, realmente, buscar, entrar em nós mesmos, em oração.

Todos sabemos como é bom orar, principalmente, em línguas, cantar em línguas, e depois ficar naquele silêncio. O que experimentamos não é um silêncio vazio, pelo contrário, é um silêncio pleno, um silêncio gostoso. Um silêncio pelo qual entramos dentro de nós mesmos. É lá que o Todo-poderoso vai semear as respostas de tudo aquilo que perguntamos.

Tudo é questão de aprender a ouvi-Lo. Ouvir não com os ouvidos, mas com a sabedoria de que Deus infunde no recesso do coração que reza.


O mediador entre Deus e os homens.




A verdade dogmática que resulta mais objetiva do fato de o Verbo ter-se encarnado e ter-se feito verdadeiro homem, sem deixar de ser verdadeiramente Deus, é a da mediação única de Jesus Cristo entre Deus e os homens.

São Paulo a afirma numa fórmula explicitamente dogmática: “Há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem, que se deu em resgate por todos.”  (1 Tim 2, 5 e 6).

À luz desta afirmação, poderíamos concluir: Jesus é o caminho de Deus e para Deus.

Talvez convenha nos formulemos uma pergunta muito simples, que por tão simples, nunca nos formulamos: Que é mesmo um “mediador”?

Santo Tomás de Aquino, em a Summa Theologiae, faz uma análise muito arguta da mediação de Jesus Cristo e a fundamenta exatamente neste pressuposto do que vem a ser um “mediador”.

Ele explica: “mediatoris officium proprie est conjungere eos  inter quos est mediator: nam extrema uniuntur in medio.”  Traduzindo: “função do mediador propriamente é unir aqueles entre os quais ele é mediador, pois os extremos se unem no meio.” (Summa Theologiae, P.III, Q.XXVI, Art. 1)  É esta  a função de Cristo, que está entre Deus e a humanidade.  

Este, portanto, que une o Criador infinito com a humanidade finita,  que estabelece relações, que implora e consegue favores de Deus, leva os nossos rogos e precisões de pecadores Àquele que é a santidade em si mesmo, – este é o sumo e único Mediador.

E diz mais o grande Santo Tomás: “Só Cristo é o perfeito mediador entre Deus e os homens, porquanto através de sua morte reconciliou o gênero humano com Deus. Daí procede que quando o Apóstolo disse:  mediador entre Deus e os homens é o homem Cristo Jesus, logo acrescentou (v.6): Que se deu a si mesmo em redenção para todos.” (Summa Theologiae, na conclusão do art.1, citado acima).

Importante ponderar ainda que, sendo Deus infinitamente superior a todos, e nós a ele infinitamente inferiores, necessário se tornava que o mediador tivesse algo de comum com Deus e com os homens. Isto se realizou perfeitamente em Cristo, que, sendo Deus, encarnou-se, tornando-se perfeitamente homem.

Lembremos o texto da carta de Paulo aos Filipenses: “Sendo ele o Verbo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhado-se aos homens”. (Fil 2, 5-8).

Esta expressão “assemelhando-se aos homens” deve ser explicada. Na verdade, o Verbo de Deus não somente se assemelhou aos homens. Sim, assemelhou-se também. Mas, em verdade, fez-se homem, tornou-se homem.

Cristo mediador tem, em seu ser, a perfectibilidade da mediação, pois ele partilha de ambas as naturezas: a de Deus, pois é seu Verbo e seu Filho, e a dos homens, pois é homem perfeito e nosso irmão maior – “o primogênito entre muitos irmãos”, como diz Paulo na Carta aos Romanos (Ro 8, 29).

Estamos aqui diante do ser mediador de Cristo, aquilo que os teólogos chamam mediação quoad esse. Pois a mediação se entende quanto ao esse (ser) e quanto ao operari (agir, fazer). Jesus Cristo é mediador pelo seu próprio “ser”: Deus-Homem. Mas o foi também pelo que operou: “a reconciliação de tudo em si mesmo pelo sangue da cruz” (Cl 1, 20)

Afirmar que Jesus é Mediador é de uma riqueza incomparável na ordem teológica e humana. Significa que o céu e a terra se encontraram em Jesus Cristo, que Deus e o homem se unem no perfeito sentido religioso, da palavra latina religare.

De religare é que procede religio,  em português religião. Religião exprime todo o conjunto de práticas pelas quais os homens buscam ligar-se a Deus.

Religare: ligar de novo os que estavam separados. A obra mais excelente criada por Deus, o homem, “imagem e semelhança de Deus”, não podia  mais voltar a Deus, não podia por si unir-se a ele. O pecado original levantara um muro de separação entre a humanidade criada e Deus Criador. A Encarnação rompeu este muro, refazendo a união entre ambos. Aqui está o esse, o ser da mediação de Jesus, Verbo Encarnado.

Em Jesus Cristo, Homem e Deus, a humanidade liga-se de novo a Deus. Poderíamos dizer: Jesus é o caminho de Deus e para Deus. “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém chega ao Pai senão por mim”. (Jo 14, 6).

E mais ainda, todos os homens se unem entre si por causa de Cristo e em Cristo. A mediação de Jesus não é só entre Deus e a humanidade; é também entre povos e nações e facções humanas, entre gentios pagãos e o povo eleito de Deus que já existia. A mediação de Cristo é a paz no sentido mais radical.
Significativo, a propósito, o texto de São Paulo aos Efésios que está em Ef 2, 11-19:

“Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre os apóstolos e os profetas como fundamentos, sendo o próprio Cristo a pedra angular. É nele que todo o edifício, harmonicamente disposto, se levanta para ser um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais em conjunto, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna  habitação de Deus.”

Lendo-se este texto e meditando-o, compreendemos que Paulo acena para a Igreja de Cristo, “edificada sobre os apóstolos”, “templo santo do Senhor”, “que se torna habitação de Deus”. É aí que se religam Deus e a humanidade. É este o templo da verdadeira Religião (de religare) à que nos referimos acima.

Temos, assim, em Jesus duplo sentido da religião que precede de religare – restabelecer a união: 1) ligados de novo, os homens a Deus; 2) ligados de novo os homens entre si, sem inimizades, por causa de Cristo.

Religião é união com Deus. Religião é amizade, afeto fraterno entre os que estão em Cristo. Os que crêem em Cristo são chamados a professar e criar a religião entre todos. É a paz como fruto da fé.

A paz está no centro dos anseios humanos, e sobretudo dos anseios de Deus. Ela começou quando Cristo nasceu, e, por isso, os anjos cantaram: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens amados por Deus”. (Lc 2, 14). Ele mesmo é a nossa Paz. (Ef 2, 14). Os textos proféticos de Isaias falam de uma paz messiânica inimaginável. Uma paz que certamente não se realizará. (Cf Is. 19, 6-10). Este texto é um símbolo, uma alegoria do que os homens devem criar.

A paz entre os homens nascerá do perdão. Ou nunca se dará. Eis a advertência de Jesus: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.” (Mt 6,14)

É admirável que Jesus não só curou tantos enfermos, mas que também lhes perdoou os pecados. E assim lhes restituiu a paz. Fazia parte de sua atividade messiânica e mediadora. Significativo, a propósito, o que está no episódio da cura do paralítico.(Mt 9, 2-9)

Perdoar pecados é mais do que curar fisicamente as pessoas, porque é curá-las no seu interior, e não só por fora. É o ponto mais alto e mais sublime da mediação de Jesus quanto a seu operar.

Por isso, também, ele deixou este poder de “perdoar pecados” aos ministros de sua Igreja. “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio...Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles  a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.”(Jo 20, 21-24)


Bendigamos para sempre ao nosso divino Mediador, que estendeu até nós a alegria do perdão de nossos pecados. O perdão é a fonte da paz.

Jesus caminho, verdade e vida.



Jesus se apresenta no Evangelho de São João 14,1-12, como o caminho,a verdade e a vida(Jo 14,6). Jesus se propõe como caminho da vida, como o caminho do futuro.
 Em conflito a comunidade de Jerusalém se organiza. A comunidade primitiva ao se organizar procurava discernir, por meio dos acontecimentos que se sucediam, qual é o melhor caminho a ser seguido. Com o crescimento das comunidades de Jerusalém, aonde tudo estava em comum, com comunidades abertas a todos, sendo impossível distinguir as linhas étnicas: quem era de origem grega e quem era de origem judaica.
 Tudo era colocado em comum e o amor cimentava estas relações. Qual o problema colocado pelas duas etnias? Deixar de lado o atendimento diário às viúvas. Como essas comunidades atendiam aos pobres, era nelas que as viúvas encontravam apoio, atenção e via as suas necessidades supridas.
 A queixa dos gregos foi levada em assembléia geral. Os apóstolos tem clara consciência de que não podem fazer tudo e que era necessário partilhar as responsabilidades. Como líderes os apóstolos tinham claro que o seu dever primeiro era levar adiante o projeto de Deus, precisando a evangelizar ter uma linha de continuidade. Por isso os apóstolos falam que não é certo eles deixarem a pregação para servirem a mesa. Entretanto, como a pregação não pode ser separada do atendimento das necessidades dos mais pobres surgiu a proposta de escolher pessoas na comunidade para que assumissem esse ministério e outros ministérios que se sucediam.
 E esta proposta agradou a todos, exigindo para tanto que esses homens fossem “de boa fama, repletos do Espírito Santo e de sabedoria”. Aqui não interessa se são judeus ou gregos. O importante é estar cheio do Espírito Santo. E os que são escolhidos iniciam o seu ministério pela cerimônia da oração e da imposição das mãos. Nasce assim o diaconato permanente. O diácono é o servidor. É aquele que serve.
 O episódio demonstra que na Igreja sempre teve e terá conflitos. Sendo uma comunidade hierárquica ela recorre aos apóstolos, reza invocando o Espírito Santo e busca uma solução para os problemas, partilhando as responsabilidades.
 A pregação dos apóstolos consiste no anúncio do projeto de Deus que é liberdade e vida para todos.Por isso o novo ministério não deve atender somente a mesa das viúvas, mas sobretudo serem anunciadores da Palavra de Deus e assim são escolhidos os primeiros sete diáconos da Igreja.

O recado da primeira leitura é que nós devemos ser uma comunidade de servidores. Servidores da Palavra, da Liturgia e da Caridade.
 Queridos zeladores e queridas zeladoras:
 A comunidade eclesial é o edifício espiritual, o sacramento visível da presença de Deus.
O contexto da primeira carta de são Pedro, no seu capítulo 2, versículos de 4 a 9, é relacionado aos migrantes-trabalhadores-escravos da Ásia Menor. Esses destinatários, pessoas sem lar, sem pátria, sem liberdade, sentem profundo desejo de viver como gente. Querem criar ambiente de paz e de fraternidade. Como acontecer a vivencia fraterna se vivem numa sociedade aonde são rejeitas, perseguidas e pisadas por seus patrões?
 Pedro afirma que o ponto de partida para construir uma nova sociedade é Jesus, morto e ressuscitado. Esse Jesus não habita os templos de pedra, mas vive nas pessoas. Jesus que foi rejeitado pelos poderosos, com a sua pregação de amor e de misericórdia, nos convida a nos aproximarmos dele, porque ele é o ponto de partida, a pedra fundamental, a base do novo Templo, feito de pessoas que são pedras vivas. Por isso, na ajuda mútua, crescem os edifícios espirituais, que são os homens e mulheres que aderem a Jesus.
 Nessa nova comunidade todos nós somos sacerdotes santos, que pelo batismo participamos do sacerdócio de Cristo. Não um sacerdócio para oferecer sacrifícios, mas um sacerdócio que nos faz ficar unidos a Jesus, construindo uma nova humanidade, nascida da morte e ressurreição de Jesus.
 Jesus é o segredo para se conseguir a meta proposta por Deus, é o ponto de partida para a construção do mundo novo, por isso quem é de Jesus é “..a raça escolhida, o sacerdócio real, a nação santa, o povo que ele conquistou, para proclamar as maravilhas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa”(Cf. 1Pd 2, 9)
 Neste versículo estão reunidos as quatro características fundamentais da comunidade cristão: 1. Raça escolhida: ou seja, ser escolhido por Jesus, pertencer a Ele; 2. Sacerdócio real: a comunidade que é de Jesus e seus membros são os próprios templos do Espírito Santo, levando com a sua vida o projeto de Jesus para frente; 3. Nação santa: a santidade do povo se realiza e se constrói no cotidiano do dia a dia, enfrentando e transformando as realidades; 4. O povo que Jesus conquistou: não ser só de Jesus, mas reconhecê-lo como único Senhor.
 Queridos irmãos,
 Os discípulos estão, no Evangelho proposto de João 14,1-12, perturbados com o discurso de Jesus e desanimados. Aqui estão representados não só os discípulos do tempo de Jesus, mas as comunidades de todos os tempos que vivem a perplexidade, o desanimo, a falta de clareza no caminho a ser seguido.  Jesus, depois de ter anunciado a traição de Judas, e a negação de Pedro, Ele próprio anuncia que vai partir, sem que alguém o possa seguir por ora. O encorajamento para enfrentar esta situação é manter a fidelidade na adesão a Jesus. A missão de Jesus é, por meio de sua morte-ressurreição, preparar esses lugares, a fim de que todos possam gozar da intimidade de Deus.
 A pergunta de Tomé vem a resposta de Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.
 Jesus é o caminho: é o caminho para a vida mediante a morte-ressurreição. Por meio delas ele chega ao Pai. Por intermédio dele - Jesus - o Pai mora na comunidade. Seguindo Jesus a comuidade realizará integralmente a vontade e o projeto de Deus. Para os judeus para se chegar a Deus deveria se cumprir a Lei. Jesus afirma o contrário, ele é o propiro caminho para chegarmos a Deus. Caminho em dois sentidos: pois Jesus vem do Pai e volta a ele, ele nos mostra o rosto do Pai.
 Jesus é a verdade: Verdade que significa fidelidade plena, estabilidade. Viver Jesus-verdade é estar em sintonia profunda com os anseios divinos. É fazer a Verdade, isto é, dar seqüência à fidelidade que Jesus manifestou em relação ao projeto de Deus, ao reino de Deus. Acolhendo a Palavra de Deus, acolhe-se o projeto do Pai. Na liberdade própria de filhos, que Deus nos concede para discernir entre o bem e o mal, a graça e o pecado, Jesus garante ser Ele próprio o dom da fidelidade ao Pai que o manda a este mundo libertar os cativos e oprimidos.
 Jesus é a vida: a comunidade recebe de Jesus a vida em plenitude e a função da comunidade é apontar para essa vida que está em Jesus. Não indicar o caminho, mas viver a vida de Jesus mediante o mandamento novo do amor. Jesus é a vida em plenitude.
 Experimentar Jesus como caminho, verdade e vida é experimentar o Pai, e mais, é ver o próprio Pai.
 Jesus ao responder Filipe responde a cada um de nós: a convivência com Jesus, ouvindo as suas palavras e a experiência do seu amor já significam experimentar o Pai celeste, vê-lo e vier na esfera do seu amor, pois Jesus está no Pai e o Pai em Jesus.
 + Que casa é esta, onde Jesus preparou muitas moradas?
  O Paraíso, onde teremos antecipadamente uma cadeira numerada?
 - Não, a Casa do Pai é a Comunidade dos seguidores de Jesus (Igreja), onde Cristo é a "Pedra angular" e nós devemos ser "Pedras Vivas".
    É a Comunidade cristã, onde há "muitos lugares", muitos serviços, muitas funções a serem desempenhadas...
 - Ainda Hoje há muitas moradas nessa casa do Pai...
   E nos lugares de trabalho preparados por Jesus, muitos continuam desocupados...
   E há "desempregados nessa casa..."
   Por que será? Desinteresse? Falta de oportunidade?
 Cristo continua presente ainda hoje através da sua Igreja.
 - Nela, somos, de fato, "Pedras vivas", atuantes... desempenhando nossa função?
 - Somos uma Comunidade organizada, que partilha responsabilidades, que procura ser uma resposta atual ao homem de hoje:
      com um Conselho que planeja, revê, anima e dá oportunidade a todos,
     com Pastorais atuantes,
     com Movimentos que vivem uma espiritualidade própria,
            mas em comunhão com a Comunidade...
     com Ministérios que animam os diversos setores...
 Cristo garante: "Estou convosco... Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..."
 Caminho que devemos percorrer com os irmãos;
 Verdade que devemos proclamar ao mundo carente da Luz divina;
 Vida que devemos defender e cuidar...
 - Que tipo de Igreja estou ajudando a construir na minha Comunidade?
 - Ou fico apenas olhando de longe, criticando... e não assumindo o meu lugar?