Cantos Gregorianos - Salmos

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Minha Vocação.

Todavia, meu coração há buscado encontrar se com Deus, estar em Deus, é como Santo Agostinho diz em suas “Confissões” “Eis que procurava fora de mim e no entanto estava dentro” e ainda completa, “Verdade tão antiga e tão nova, tarde Te amei”, e esse “Tarde te amei”colocado-me em reflexão, quanto nos perdemos por coisas inúteis e esquecemos que precisamos de tão pouco para viver,  e que se realmente buscamos a felicidade, ao olharmos para   trás veremos que perdemos nosso tempo em acumular o desnecessário, pois tudo que precisamos está em Deus, porque se confiamos em Deus nada nos falta, é claro que não existe uma recompensa sem sacrifícios, mas se  refletirmos bem nada é comparável ao sacrifício que Jesus fez por nós, seu amor foi tão intenso que nos deu a sua própria vida para nos salvar e em morte de cruz. E esse abandonar-se em Deus, é deixar que Ele conduza o nosso tempo, pois o nosso relógio é diferente do relógio do  nosso Criador, por isso tudo tem o seu tempo, é como no plantio, há tempo para preparar a terra, há tempo para cultiva-la, há tempo para amadurecer, há tempo para colher. O que precisamos é apenas obedecer a esse tempo de Deus, sem querer atropelar o curso natural desse processo. Deus em sua infinita bondade nos conhece em cada célula do nosso corpo, e sabe de tudo que precisamos nunca nos priva de nada e nunca nos tira, apenas dar aquilo que realmente necessitamos.

            Por isso é eficaz entregar cada momento a Deus, e viver esse momento hoje, assim como São Paulo “já não sou eu quem vive, é Cristo vive em mim” , e essa é a vontade de Deus, a nossa santificação, e não deixamos isso pra depois, pois o momento oportuno é hoje, não foi ontem e, nem será amanhã, é HOJE que somos chamados por Cristo, “Sedes santos como, Deus vosso Pai é santo”, e é isso que me move e que me sustenta. 

por: Paulo Fernandes

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O VALOR DO TEMPO

Diligência, meu filho, - diz o Espírito Santo - em empregar bem o tempo, porque é a coisa mais preciosa, riquíssimo dom que Deus concede ao homem mortal. Até os próprios gentios tinham conhecimento de seu valor. Sêneca dizia que nada pode equivaler ao valor do tempo. 
Com maior satisfação ainda o apreciaram os Santos. Afirma São Bernardino de Sena que um só momento vale tanto como Deus, porque nesse instante, com um ato de contrição ou de amor perfeito, pode o homem adquirir a graça divina e a glória eterna. 
O tempo é um tesouro que só se acha nesta vida, mas não na outra, nem no céu, nem no inferno. É este o grito dos, condenados: "Oh! Se tivéssemos uma hora!" ... Por todo o preço comprariam uma hora a fim de reparar sua ruína; porém, esta hora jamais lhes será dada. No céu não há pranto; mas, se os bem-aventurados pudessem sofrer, chorariam o tempo perdido na sua vida mortal, o qual lhes poderia ter servido para alcançar grau mais elevado na glória; porém, já se terá passado a época de merecer. 
E tu, meu irmão, em que empregas o tempo? Por que sempre adias para amanhã o que podes fazer hoje? Reflete que o tempo passado desapareceu e já não te pertence; que o futuro não depende de ti. Só dispões do tempo presente para agir... 
"Ó infeliz! - adverte São Bernardo. Por que ousas contar com o vindouro, como se Deus tivesse posto o tempo em teu poder?" E Santo Agostinho disse: "Como te podes prometer o dia de amanhã, se não dispões de uma hora de vida?" Daí conclui Santa Teresa: "Se não estiveres preparado hoje para morrer, teme morrer mal..." (S. Afonso de Ligório. "Tempo e Eternidade").  


Dom Estêvão Tavares Bettencourt, O.S.B . 
Pergunte e Responderemos, nº519, p.419.  Rio de Janeiro, setembro 2005

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O TEMPO.

Imagine que você tenha uma conta corrente e a cada manhã você acorde com um saldo de R$ 86.400,00. Só que não é permitido transferir o saldo do dia para o dia seguinte. Todas as noites o saldo é zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia. O que você faria? Iria gastar cada centavo possível, é claro! Todos nós somos clientes deste banco de que estamos falando. Ele se chama tempo. Todas as manhãs sua conta é reiniciada, e todas as noites as sobras do dia se evaporam. Não há volta Você precisa de gastar o máximo, vivendo no presente seu depósito diário. Invista então no que for melhor: na saúde, no serviço ao próximo, na procura de Deus, mediante uma leitura ou oração.

O relógio está correndo. Faça o melhor para o seu dia-a-dia.
 Para você perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que perdeu o ano.
Para perceber o valor de UM MÊS, pergunte à mãe que teve seu bebê prematuro.
Para perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal.
Para você perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrar.
Para perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu o ônibus.
Para perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.
Para perceber o valor de UM MILISSEGUNDO, pergunte a alguém que perdeu a medalha de ouro em uma olimpíada.
Valorize cada momento que você tem. Valorize mais, porque você deve dividir com alguém especial o suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Lembre-se de que o tempo não pára, não espera por ninguém, não volta atrás. O ontem é história. O amanhã é um mistério. O hoje é uma dádiva. Por isso é chamado presente.

(Ledll R. Tormen)  Do livro: A vida é uma escolha.

Organização: Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Ed. Lumem Christi . Rio de Janeiro, 2007.

O MOMENTO PRESENTE.

“Não vos preocupeis com o dia de amanhã” (Mt 6, 34). Essas são as palavras com que o Senhor nos anima a viver o momento presente com paz e alegria, buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, sabendo que todas as demais coisas nos serão dadas por acréscimo.  Como é, pois, bom ter sempre presente que a palavra Evangelho, com a qual definimos a mensagem de Cristo, não significa, em grego, senão: Boa Nova.  Boa Nova, quer dizer, mensagem de esperança, de alegria, de coragem no nosso dia-a-dia, rumo ao coração do Pai, à pátria que alimenta nossa Esperança.  Pois bem, no Evangelho, ouvimos Jesus dizer-nos com toda naturalidade: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). A princípio, podemos pensar que nosso Senhor e Mestre está brincando conosco, mas não é assim. Está nos chamando à santidade, como nos diz são Paulo: “A vontade de Deus é que sejais santos”; ela é o fim de nossa existência terrena e eterna. Num outro lugar, e numa belíssima passagem, Jesus mesmo concentra as condições que precisamos para alcançar dito ideal: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me.” (Lc 9,23). Eis, pois, o que precisamos para ser perfeitos: levar a cruz de cada dia, só a de cada dia, mas não aquela que nossa imaginação inventa. Para esta cruz cotidiana, temos a graça divina; só nos resta dizer como Maria: “Sim”.  Vistas assim as coisas, quem poderá dizer que a santificação do dia-a-dia ultrapassa as suas forças. Só hoje! Santificação do momento presente. Eis o “momento” do abraço com Nosso Senhor, a nossa adesão à sua vontade, na qual está toda a santidade de uma criatura humana.  Para iluminar dita verdade, colocamos aqui uns textos que nos podem ajudar a todos. A Sabedoria Encarnada, Jesus, abra nossos corações à divina graça. “Tudo é graça”, mas devemos acolhê-la a cada instante com boa vontade.  Não hesitemos, pois, abrir nossos ouvidos à recomendação do Apóstolo Pedro: “Como é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está escrito: Sereis santos porque eu sou santo” (1Pd 1, 15-16).  
Que Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças, no-lo alcance.  

terça-feira, 3 de junho de 2014

A fábula da águia e da galinha

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização.


"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.

Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:

- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.

- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.

- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:

- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

 O camponês comentou:

- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.

Sussurrou-lhe:

- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!

Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.

O camponês sorriu e voltou a carga:

- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!

- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a  águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e
dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:

- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.

Foi quando ela abriu suas potentes asas.

Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.

Voou. E nunca mais retornou."

Existem coisas que nos apegamos e nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”
 

Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Vocação: A vida monástica

A Vida Monástica define-se pela escolha de um modo de vida que é ao mesmo tempo marginal e implicitamente crítico em relação à sociedade de consumo. Não é uma fuga, mas um despojar-se de si mesmo para tomar a cruz e seguir o Cristo. A comunidade, “Escola do serviço do Senhor”, reúne-se em torno de um pai, o Abade, sinal de Deus, que é Pai. Na vida comunitária, o monge aprende a arte de perdoar e amar e de permitir que sua personalidade gradualmente se complete com as riquezas dos outros. Este processo de crescimento alimenta-se no diálogo constante, pessoal e comunitário, com Deus , na oração – verdadeira respiração vital da presença do Espírito Santo de Deus. E à oração une-se, naturalmente, o trabalho manual ou intelectual, realizado por todos em espírito de oferenda e como serviço aos homens.
Sendo alguém que busca a Deus, o monge se dispõe a um contínuo e entusiasmado processo de conversão no dia a dia de sua vida comunitária. Ele não foge do mundo, nem o odeia, mas dele se afasta. Renuncia a si mesmo e aos bens que poderia obter para si no mundo, para seguir a Cristo no deserto, lugar de sofrimentos e tentações, mas também de autenticidade e encontro. Assim, colocando-se a certa distância da sociedade, livre de suas convenções e imperativos, o monge entrega-se totalmente ao Cristo. Assume uma caminhada em busca da sabedoria de uma tradição espiritual, que lhe é transmitida por um mestre e uma comunidade. Toda esta caminhada, conduz, pela graça, a uma transformação interior e a um aprofundamento da consciência e da percepção, chegando-se a uma experiência no mais profundo do ser.
A vida do monge é toda alicerçada na fé, por meio da qual ele experimenta constantemente a Morte e a Ressurreição em Cristo, com tudo o que isso implica: despojamento, humildade, paz, serviço, alegria, liberdade. Dentro do Mosteiro, o monge permanece aberto às necessidades dos homens e ao acolhimento. É livre para encontrar e amar a todos. E quer ser, segundo a vontade de Deus, um instrumento de seu Reino.
A Nossa função no Corpo Místico de Cristo – A Igreja
O monge faz sua e participa da missão de Cristo e da Igreja mediante sua doação pessoal a Deus e fidelidade à vida monástica. Seu apostolado está em seu coração orante e purificado, no qual se encontram as alegrias e tristezas de toda a família humana. O mosteiro é sinal silencioso da presença transcendente de Deus entre os homens. É uma profecia da comunhão com Deus a qual Cristo nos convida. “O Reino Deus está no meio de vós” (Lc 17,21). Com sua oração, sustenta, misteriosamente, a missão de toda a Igreja, permanecendo diante do Senhor dia e noite. Usando as célebres e sábias palavras de Paulo VI: “Os mosteiros são como que “os pulmões da Igreja”.
Não realizamos obras de apostolado fora dos muros do mosteiro. No entanto, nossas portas estão sempre abertas para o povo. Aqueles que vêm ao mosteiro são convidados a compartilhar conosco do clima de solidão e silêncio, no qual floresce a lembrança de Deus e a oração pura e contínua. Pela hospitalidade, o mosteiro compartilha o fruto de sua contemplação e trabalho. É uma hospitalidade aberta a todos, sem distinção. “Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: ‘Fui hóspede e me recebestes’” (rb.53,1).
“Os mosteiros foram e continuam a ser, no coração da Igreja e do mundo, um sinal eloquente de comunhão, lugares para acolher todas as pessoas que estão buscando Deus e as realidades espirituais, escolas de fé e verdadeiros centros de estudos, de diálogo e de cultura para a edificação da vida eclesial e da cidade terrena, à espera da cidade celeste. (…) O monaquismo ocidental, em sua forma atual, inspirado por São Bento, recolhe a herança de tantos homens e mulheres que, renunciando à vida levada no mundo, procuraram a Deus e a ele se dedicaram, ‘sem nada antepor ao amor de Cristo’ (rb.4,21)” (Vita Consecrata, 6). Esta maneira de viver é, para os hóspedes, um sinal profético e escatológico capaz de tocar seus corações e provocar um questionamento positivo, a ponto de gerar uma mudança de vida. A vida monástica é para os homens de hoje uma ‘água viva’ do Cristo, a única que poderá saciar a sede dos homens.

Num mundo no qual o “falar” se tornou algo muito cultivado e o “ouvir”, negligenciado, o mosteiro assume um importante papel no acolhimento das pessoas, que desejam partilhar suas dificuldades, anseios, alegrias e tristezas. Nós nos dispomos a recebê-las para o aconselhamento espiritual, atendimento de confissões ou, simplesmente, para ouvir aquele que precisa falar.

domingo, 1 de junho de 2014

“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, carregue sua Cruz e segue-me”. (Mc. 8,34)

Todos os homens são chamados ao mesmo fim, o próprio Deus. Existe certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem estabelecer entre si, na verdade e no amor. O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus. (CIC. 1878)
Novo Adão, na mesma revelação do ministério do Pai e de seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação. Em Cristo, imagem do Deus invisível (Cl. 1,15), foi homem criado à imagem e semelhança do Criador. (CIC. 1701)
“Mestre onde moras?” (Jo.1,38). Este questionamento dos discípulos mostra que estão interessados pela morada do Senhor. A morada do Senhor é “O Caminho”!. Foi no caminho que Jesus se encontrou com os discípulos, e é neste mesmo caminho que Ele faz o chamado “Vinde e vede” (Jo. 1,39), mas, também é no caminho que este mesmo Senhor se encontra com os pobres e necessitados de amor.
O vinde e vede é um convite questionativo do Senhor, pois somente no seguimento eles (os discípulos) poderiam saber mais do Senhor. Quando o homem se encontra com o amor misericordioso de Cristo ele é impulsionado a deixar tudo e segui-lo. Somente o amor de Deus nos faz deixar as “redes de nossa vida” para nos tornarmos pescadores de homens.
A etimologia da palavra vocação vem do verbo latino vocare, que significa “chamar”. É a tradução do termo “vocatione” que quer dizer chamado, apelo, convite, convocação.
É uma iniciativa gratuita, proposta que parte de Deus , que é a dimensão teológica. E impulso interior de cada pessoa onde conscientemente responde ao plano de amor de Deus, que é a dimensão antropológica.
Sendo que Cristo morreu por todos e que a vocação ultima do homem é realmente uma só, a saber, divina, devemos sustentar que o Espírito Santo oferece a todos, sob forma que só Deus conhece, a possibilidade de se associarem ao Mistério Pascal.
A nossa vocação é o maior de todos os benefícios que recebemos e diariamente continuamos a receber do nosso benfeitor, o Pai das misericórdias, pelos quais devemos render infinitas graças; e quanto mais perfeita ela é, mais d´Ele nos tornamos devedores”. (Sta. Clara de Assis)
O fundador da Obra, Pe. Gilson, diz que são muitos os jovens que, quando se sentem chamados para uma vida consagrada, têm como primeira atitude rejeitá-la, exclamando: “Isto não é coisa para mim !”. É como se essa vocação fosse a pior coisa do mundo e por isso mesmo jamais poderia aceitar.
Outras atitudes freqüentes são: vergonha, o que vão pensar de mim?, a insegurança, o que vai ser de mim agora?, a dúvida, será que não é coisa da minha cabeça? E principalmente do medo de Deixar tudo. O medo é ausência do Espírito Santo.
Diante do chamado de Deus o que nos resta a não ser permitir que o Senhor nos conduza, se Ele chama é porque tem certeza que podemos ser resposta generosa a este apelo divino. A vocação é o gesto de amor mais “escandaloso” de Deus para com o homem, é o Senhor chamando-o para fazer parte de seu discipulado de amor.
O estado de vida consagrada aparece, portanto como uma das maneiras de conhecer uma consagração mais intima que se radica no batismo e se dedica totalmente a Deus, na vida consagrada, os fieis de Cristo se propõem, sob a moção do Espírito Santo, seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus e amando-o acima de tudo, procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro. (CIC. 916)
O terceiro milênio aguarda a contribuição da fé e da inventiva de uma multidão de jovens consagrados, para que o mundo se torne mais sereno e capaz de acolher a Deus e, nEle, todos os seus filhos e filhas. (VC 106 – João Paulo II)


Quando se fala em vocação vale-se ressaltar que existem suas dimensões, são elas: dimensão humana, dimensão cristã e dimensão específica.
Dimensão Humana: é dom gratuito de Deus, o chamado à vida, a existência, um desenvolvimento da dignidade humana. A vocação humana é fundamental, pois sem desenvolvê-la é impossível sermos cristãos, pois antes de sermos cristãos, somos humanos; desse modo, devemos desenvolver todas as nossas potencialidades que foram dadas por Deus, para que haja um mundo mais justo e igualitário, portanto, o homem precisa descobrir que primeiramente o Reino de Deus é algo que está em seu interior.
Dimensão Cristã: o batismo nos torna filhos de Deus. Todo batizado é chamado a seguir Cristo, sua Igreja e Palavra. Ser cristão é uma urgência de todo batizado, é permitir que a força do sacramento nos leve a radicalidade do nome cristão. Cristão é aquele que tem o Cristo na alma. Essa dimensão tem que gerar no batizado o desejo de ser como Cristo, em tudo fazer vontade do Pai.
Dimensão Especifica: é a caracterização especifica de um estado de vida vocacional. Por exemplo, a vocação laical, que são leigos chamados a santificar o mundo, os leigos são especialmente chamados por Deus a tornarem a Igreja presente e operosa naqueles lugares e circunstancias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra (Pio XI, Encíclica Quadragésimo Ano). a vocação ordenada, que é subdividida em três: diácono, presbítero e os bispos, e a vocação religiosa que pela profissão dos conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) se tornam almas esposas do Cristo Esposo.
A vida religiosa é a radicalidade do batismo, é o chamado para ser um “outro Cristo”, como por exemplo, o Seráfico Pai São Francisco e Santa Clara, que abraçando o Cristo-Todo tornaram-se semelhante a Ele. “O mundo tem saudades de Francisco” (João Paulo II)


Sabe-se que a Fraternidade O Caminho é um Instituto de vida religiosa mista (irmãos e irmãs) onde seus membros são consagrados a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos.
Os irmãos que tem o desejo do sacerdócio serão acompanhados ao longo da formação, e num discernimento estreito com o formador decidirão juntos tão sublime chamado. Sabendo que a Fraternidade não é uma obra clerical e sim religiosa.
Mas também em torno da Obra há um grande numero de leigos que vivem o carisma em sua casa, no trabalho, na escola, ou seja, vivem no mundo. Esses leigos associados carinhosamente são chamados “irmãos de aliança”.
A vocação na Obra é tida como um comprometimento espiritual. Diante do Senhor Sacramentado todos os dias é implorado para que Ele envie santas vocações à Igreja, à Obra. Antes da vocação chegar até a obra ela já vai sendo gerada no coração de Deus para que permaneça firme e fiel em seu santo propósito.


Na Fraternidade O Caminho não há uma comissão vocacional nacional que acompanha as vocações, mas em cada casa de missão (as fraternitas) tem um (a) irmão (ã) que é designado para o santo oficio.
O acompanhamento vocacional para a Fraternidade é algo sagrado, a vocação tem que ser bem acompanhada, seja para a vida religiosa ou leigo associado, para que no tempo futuro dê fruto doce à Obra e conseqüentemente à Igreja de Cristo.
Ao longo dos anos foi sentindo essa necessidade de ter um (a) irmão (ã) responsável pelas vocações. Esse irmão (ã) não só acompanha o candidato, mas conhece sua vida, sua família, enfim, sua caminhada na Igreja.
Quando o candidato manifesta o desejo de viver como a Fraternidade vive, nesse instante começa o chamado discernimento vocacional, onde ao longo do tempo juntos em oração e direção escutarão a voz do Senhor.


  1. O acompanhamento é realizado por um irmão (a), de no mínimo seis meses, sendo que aqueles que já tiveram uma outra experiência consagrada como por exemplo convento, seminário e diocese, esse tempo perdurará por no mínimo hum ano.
  2. O contato vocacional do candidato com a obra, tem que ser feito por e-mail, carta, telefone ou se dirigir em uma de nossas fraternitas. Esse contato tem que ser constante e fundamentado na virtude da honestidade.
  3. Para o inicio do acompanhamento é necessário escrever uma carta de auto-apresentação contendo um pouco da historia de vida e vocacional, o tempo de caminhada na Igreja e como foi a conversão, relatar sobre o convívio familiar e vida afetiva, onde e como conheceu a Fraternidade e o nome da pessoa que apresentou.
  4. Se ao decorrer do acompanhamento, o candidato decidir ingressar na Obra com a permissão do (a) irmão (ã), ele será recebido como um vocacionado interno, sendo acompanhado mais de perto.
  5. É necessária a carta de apresentação e recomendação (de preferência um clérigo) do candidato.
  1.  O acompanhamento é realizado pelo coordenador dos leigos, pois em cada fraternitas tem uma pessoa ou um casal responsável pela comunidade dos leigos.
  2. A pessoa que pretende abraçar tal vocação é convidada a estar perto da Obra antes de se decidir pelo acompanhamento.
  3. É pedida ao candidato uma carta de auto-apresentação, histórico de conversão e tempo de caminhada na Igreja.
  4. Então se faz uma experiência de um ano, envolvendo-se nos diversos trabalhos e depois disso, se este for realmente o desejo de sua alma, a pessoa faz suas promessas diante de toda a comunidade.
  5. Mesmo depois das primeiras promessas o leigo associado continuará sendo acompanhado, seja pelo coordenador, ou por um (a) irmão (ã) religioso (ã).
Só há seguimento quando há renúncia e Cruz.. Como dizia São Luís Maria Grignon de Montfort: “Nem Jesus sem a Cruz e nem a Cruz sem Jesus”. Coragem, vale a pena ser de Deus!